Esta página é da responsabilidade de Teresa Mourão, 10C nº22.

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Dili-Timor, dor sempre esquecida, tão presente dor...


Ruy Vaz Monteiro Gomes Cinatti, nascido no ano de 1915, no dia 8 de Março, em Londres, foi em vida um excelente e extraordinário poeta e cientista de Portugal.
Ruy, de ascendência portuguesa e italiana, aos dois anos de idade viajou para Portugal, onde praticamente passou os seus tempo de infância. Ainda na capital, prosseguiu os seus estudos normalmente, licenciando-se, em 1941, no Instituto Superior de Agronomia e tornando-se num grande Engenheiro Agrónomo. Logo após ter concluído essa etapa na sua formação, deslocou-se para Inglaterra, indo assim estudar Etnologia e Antropologia na universidade de Oxford.

Ao terminar os estudos, tomou por opção iniciar uma vida de longas e diversas viagens pelo mundo fora, exercendo funções de agrónomo nos Serviços de Agricultura. A partir desse facto, tornou-se, durante um período de sete anos, chefe dos Serviços de Agricultura em Timor. Em 1957, ainda na mesma terra, foi um grande investigador da Junta da Investigações Cientificas do Ultramar. Em 1966, o poeta Ruy Cinatti, instalou-se definitivamente em Lisboa, onde cresceu a sua grande paixão pela escrita, e dedicou-se mais a um longo e maravilhoso trabalho literário.


As suas obras reflectem-se na sua vida: nas longas viagens, experiências e aventuras passadas pelo mundo fora (principalmente por Timor); no fascínio que tinha pela natureza, representante do ponto de origem da sua espiritualidade e personalidade, e toda a sua cultura.

Fez, então, vários trabalhos neste campo: trabalhou com a revista Cadernos de Poesia (da qual foi co- fundador) e com a revista Aventura. (anos 40). Também teve uma participação no jornal Acção, entre outros. Publicou os seus primeiros versos no Colégio Nun’Álvares. Foram inúmeras as obras produzidas por este fascinante profissional, na arte de escrever. Entre elas, destacam-se: Ossonóbo (1936), Nós Não Somos Deste Mundo (1941), Anoitecendo a Vida Recomeça (1942), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada (1966), Sete Septetos (1967), Crónicas Cabo – Verdeanas (1967), O Trédio Recompensado (1968), Memória Descritiva (1971), Conversa de Rotina (sociedade de Expansão Cultural), Colecção de Poesia “Convergência” (1973), Os Poemas do Itinerário Angolano (1974), Timor – Amor (1974), O A Fazer, Faz-se (1976), Import – Export (1976), Lembranças para São Tomé e Príncipe – 1972 (1979), Poemas (1981), Manhã Imensa (1982).

A sua escrita é caracterizada pelas suas inúmeras incertezas e “porquês” sobre a vida e o Homem, pela fidelidade à fé, esperança e criatividade.
Escritor de acção, inventor de uma entoação nova e de um ritmo aparentemente simples que dá lugar a uma colecção unicamente espectacular e cultural.
Considerado um poeta ímpar da literatura portuguesa, Ruy Cinatti acabou por fechar os olhos internamente dia 12 de Outubro de 1986, deixando o seu belo trabalho exposto para todo povo português saborear!





Poemas:

Timor

Os vínculos portugueses

Meu irmão, meu irmão branco,
De cor, como eu também
Aceita a minha aliança.
Bebe o meu sangue no teu.

Se te sentires timorense,
Bebe o teu sangue no meu.

Lenço enrolado nas mãos,
Apertadas, pele na palma.
Não a quero maculado.
Quero-lhe mais que á minha alma.

É penhor de uma aliança.
Quero-lhe mais que á minha alma.

Tenho o meu coração preso
A um símbolo desfraldado;
Um desenho atribuído,
Pelas minhas mãos hasteado.

Não piso a sombra de um símbolo
Pelas minhas mãos hasteado.

No Tatal – Mai – Lau aprendo
Alturas que ninguém viu
Na terra de português.
Hasteei-lhe uma bandeira.

Timor deu a volta ao mundo.
Hasteei nele a bandeira.



Quem pode impedir a Primavera

Quem pode impedir a Primavera
Se as árvores se vão cobrir de flores
E o homem se sentiu sorrir à Vida?
Quem pode impedir a surda guerra
Que vai nos campos deslocando as pedras
- Mudas comparsas no ritmo das estações -
E da terra inerte ergueu milhares de lanças
Que a tremer avançam, cintilantes, para o limite
Em que a luz aquosa se derrama
Como um mar infinito onde o arado
Abre caminho misterioso à seiva inquieta!
Quem pode impedir a Primavera
Se estamos em Maio e uma ternura
Nos faz abrir a porta aos viandantes
E o amor se abriga em cada um dos nossos gestos.
Quem?...
Se os sonhos maus do Inverno dão lugar à Primavera!




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A minha leitura da obra de Ruy Cinnati:


Ao pesquisar sobre a existência do poeta Ruy Cinatti, tive a grande oportunidade de poder fascinar-me pelo seu fortíssimo desempenho literário português e de deixar-me conduzir pelos encantos de certos poemas que ele compôs.
Relativamente à sua vida pessoal, marcou-me a sua força e a permanente recuperação face aos problemas que a vida lhe foi colocando, assim como a firmeza com que levava os seus projectos por diante.