( Trabalho da responsabilidade de Patrícia Simão Nº 19 10ºC )

Viagem



Aparelhei o barco da ilusão
E reforcei a fé de marinheiro.
Era longe o meu sonho, e traiçoeiro
O mar...
(Só nos é concedida
Esta vida
Que temos;
E é nela que é preciso
Procurar
O velho paraíso
Que perdemos).
Prestes, larguei a vela
E disse adeus ao cais, à paz tolhida.
Desmedida,
A revolta imensidão
Transforma dia a dia a embarcação
Numa errante e alada sepultura...
Mas corto as ondas sem desanimar.
Em qualquer aventura,
O que importa é partir, não é chegar.



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Adolfo Correia Rocha, nasceu em Vila Real, no dia 12 de Agosto de 1907. Filho de Francisco Correia Rocha e de Maria da Conceição Barros, pessoas modestas do campo do concelho do Alto Douro.

Foi um dos mais importantes escritores do século XX.

Aos dez anos, vai para uma casa no Porto, habitada por parentes da família. Vestido de branco servia de porteiro, moço de recados, regava o jardim, atendia a campainha, limpava pó e polia os metais escadaria nobre. Passado um ano foi despedido, por causa da constante falta de dependência.

Em 1918 vai para um seminário em Lamego, onde vive um dos anos difíceis da sua vida, onde melhorou os conhecimentos de português, da geografia, da história, aprendido o latim e assim ganhou familiaridades com os textos sagrados. No fim das férias comunicou ao pai que não seria padre.

No ano seguinte emigrou para o Brasil, com apenas doze anos, foi trabalhar para a fazenda do tio, na cultura do café. O tio apercebeu-se da sua inteligência e patrocinou-lhe os seus estudos liceais em Leopoldina. Em 1925, na certeza de que havia de vir a ser doutor em Coimbra, o tio decidiu pagar-lhe os estudos como recompensa dos cinco anos de serviço, o que o levou a Portugal.

Em 1928 entrou para a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e publica o sei primeiro livro, “Ansiedade”, de poesia. Em 1929, com 22 anos, deu inicio à colaboração da revista “Presença”, folha de arte e crítica, com o poema “Altitudes”. A revista, fundada em 1927 pelo grupo literário de José Régio, Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, era uma bandeira literária do grupo modernista e era também, uma bandeira literária da Revolução Modernista. Em 1930 acaba definitivamente com a revista “Presença”, por razões de discordância estética e razões de liberdade humana.

É bastante crítico da praxe e tradições académicas, e chama depreciativamente "farda" à capa e batina, mas ama a cidade de Coimbra, onde viria também a exercer a sua profissão de médico a partir de 1939 e onde escreve a maioria dos seus livros. Em 1933 concluiu a formatura em Medicina, com apoio financeiro do tio do Brasil. Exerceu no início nas agrestes terras transmontanas, de onde era originário e que são pano de fundo da maior parte da sua obra.

Casou com Andrée Crabbé em 1940, estudante de nacionalidade belga - aluna de Estudos Portugueses, ministrados por Vitorino Nemésio em Bruxelas - que viera a Portugal para frequentar um curso de férias na Universidade de Coimbra. A sua filha, Clara Rocha, nasce a 3 de Outubro de 1955.

Morreu em Coimbra no dia 17 de Janeiro de 1995.

Origem do pseudónimo

Em 1934, aos 27 anos, Adolfo Correia Rocha autodefine-se pelo pseudónimo que criou, "Miguel" e "Torga". Miguel, em homenagem a dois grandes vultos da cultura ibérica: Miguel de Cervantes e Miguel de Unamuno. Já Torga é uma planta brava da montanha, que deita raízes fortes sob a aridez da rocha, de flor branca, arroxeada ou cor de vinho, com um caule incrivelmente rectilíneo. A sua campa rasa em São Martinho de Anta tem uma torga plantada a seu lado, em honra ao poeta.


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A obra de Torga tem um carácter humanista: criado nas serras trasmontanas, entre os trabalhadores rurais, assistindo aos ciclos de perpetuação da Natureza, Torga aprendeu o valor de cada homem, como criador e propagador da vida e da Natureza: sem o homem, não haveria searas, não haveria vinhas, não haveria toda a paisagem duriense, feita de socalcos nas rochas, obra magnífica de muitas gerações de trabalho humano. Ora, estes homens e as suas obras levam Torga a revoltar-se contra a Divindade Transcendente a favor da imanência: para ele, só a humanidade seria digna de louvores, de cânticos, de admiração.

Para Miguel Torga, nenhum deus é digno de louvor: na sua condição omnisciente é-lhe muito fácil ser virtuoso, e enquanto ser sobrenatural não se lhe opõe qualquer dificuldade para fazer a Natureza - mas o homem, limitado, finito, condicionado, exposto à doença, à miséria, à desgraça e à morte é também capaz de criar, e é sobretudo capaz de se impor à Natureza, como os trabalhadores rurais trasmontanos impuseram a sua vontade de semear a terra aos penedos bravios das serras. E é essa capacidade de moldar o meio, de verdadeiramente fazer a Natureza mau grado todas as limitações de bicho, de ser humano mortal que, ao ver de Torga fazem do homem único ser digno de adoração.
Considerado por muitos como um avarento de trato difícil e carácter duro, foge dos meios das elites pedantes, mas dá consultas médicas gratuitas a gente pobre e é referido pelo povo como um homem de bom coração e de boa conversa.

Poesia


  • 1928 - Ansiedade.
  • 1930 - Rampa.
  • 1931 - Tributo
  • 1932 - Abismo
  • 1936 - O Outro Livro de Job.
  • 1943 - Lamentação.
  • 1944 - Libertação.
  • 1946 - Odes.
  • 1948 - Nihil Sibi.
  • 1950 - Cântico do Homem.
  • 1952 - Alguns Poemas Ibéricos.
  • 1954 - Penas do Purgatório.
  • 1958 - Orfeu Rebelde.
  • 1962 - Câmara Ardente
  • 1965 - Poemas Ibéricos.


Prosa

  • 1931 - Pão Ázimo
  • 1931 - Criação do Mundo.
  • 1934 - A Terceira Voz.
  • 1937 - Os Dois Primeiros Dias.
  • 1938 - O Terceiro Dia da Criação do Mundo.
  • 1939 - O Quarto Dia da Criação do Mundo.
  • 1940 - Bichos.
  • 1941 - Contos da Montanha.
  • 1942 - Rua.
  • 1943 - O Senhor Ventura.
  • 1944 - Novos Contos da Montanha.
  • 1945 - Vindima.
  • 1951 - Pedras La vradas.
  • 1974 - O Quinto Dia da Criação do Mundo.
  • 1976 - Fogo Preso.
  • 1981 - O Sexto Dia da Criação do Mundo.
  • 1982 - Fábula de Fábulas.

Peças de teatro

  • 1941 - "Terra Firme" e "Mar".
  • 1947 - Sinfonia.
  • 1949 - O Paraíso.
  • 1950 - Portugal.
  • 1955 - Traço de União.

Prémios

  • 1969 - Prémio do Diário de Notícias.
  • 1980 - Prémio Morgado de Mateus, ex-aecquo com Carlos Drummond de Andrade.
  • 1981 - Prémio Montaigne da Fundação Alemã F.V.S. .
  • 1989 - Prémio Camões.
  • 1991 - Prémio Personalidade do Ano.
  • 1992 - Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.
  • 1993 - Prémio da Crítica, consagrando a sua obra.





A minha opinião sobre Miguel Torga Sinceramente quando a stor nos propos o tema, pensei que não ia gostar, mas afinal estava enganada. Não conheçia muioto do autor, ao realizar este trabalho precebi o quando ele se esforçou para ter o que queria. Era um grande lutador. Gostei dos poemas de Miguel Torga