(Página da responsablidade de:Filomena Mateus nº7_10ºD)

Mário de Sá Carneiro


mario-sa-carneiro.jpgMário de Sá Carneiro nasceu em Lisboa a 19 de Maio de 1890 e foi um poeta contista e ficcionista português. Foi um dos rostos do modernismo em Portugal e conceituado membro da geração Orpheu.
Começou a escrever poesia com doze anos e aos quinze já traduzia autores como Victor Hugo, Goeth e Schiller.
Matricula-se na faculdade de direito em Coimbra onde conhece Fernando Pessoa, figura que viria a tornar-se o seu melhor amigo.
Uma vez que não fez nenhuma cadeira do curso de direito foi para Paris com o objectivo de continuar os estudos superiores na universidade da Sorbone. Cedo de dedicou a uma vida boémia chegando até a passar fome levando a um total desespero, tendo se envolvida com uma prostituta.
Foi em Paris que compôs grande parte das suas obras poéticas e correspondência com o seu amigo Fernando Pessoa.
Já em Lisboa associando-se a Fernando Pessoa e Almada Negreiros constitui o primeiro grupo modernista português, sendo responsável pela edição da revista Orpheu.
Regressa a Paris onde se suicida em 1916. Apesar de curta a sua carreira literária foi muita rica tendo escrito obras como:


· A confissão de Lúcio (1913)
· Depressão (1914)
· Céu em fogo (1915)






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Além-tédio

Nada me expira já, nada me vive
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.

Como eu quisera, enfim de alma esquecida,
Dormir em paz num leito de hospital...
Cansei dentro de mim, cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.

Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.

Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu... Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!

Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.

E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes, mais esguios...



CARANGUEJOLA
Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado...
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira...
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.
Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
Para quê? Até se mos dessem não saberia brincar...
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito para festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!
Noite sempre pelo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho - que amor!
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
Pelo menos era o sossego completo... História! Era a melhor das vidas...
Se me doem os pés e não sei andar direito,
Para que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito...
De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza...
Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
Para que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C'o a breca! levem-me p'rá enfermaria -
Isto é: p'ra um quarto particular que o meu pai pagará.
Justo. Um quarto de hospital - higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda...
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo...
Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.








VIDEOS:






Poema recitado:
http://recantodasletras.uol.com.br/audios/poesias/14621



Parecer: Mário de Sá Carneiro teve uma infância difícil, apesar de ser de família abastada nunca se conformou com a perda da sua mãe. Na sua poesia estam presentes esses sentimentos de angustia e tristeza.
No meu ponto de vista Mário de Sá Carneiro escreveu uma riquissima obra que teria sido mais completa se este não se tivesse suicidaddo.

Referências :


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